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domingo, 30 de dezembro de 2012

Vazio

Ando, caminho, para onde vou? Não sei, nunca soube. Posso até traçar um caminho, mas algumas rotas mudam, algumas coisas inesperadas acontecem, tanto boa quanto ruim, é um mistério, creio que nunca o resolverei, nem sei se quero resolvê-lo.

Um passo a frente, dois pra trás, 2 passos pra frente, um pra trás. Nisso minha vida se encontra num zigue-zague, cheio de idas e vindas.

O que sou hoje? Não sei dizer, mas posso afirmar que não sou aquela que fui ontem, nem mesmo aquela de há uma hora atrás, algo sempre muda, algo sempre se perde, mas parece que sempre se ganha também.

Dou passos, cai algo, mas não olho pra trás, me contento com o som de algo caindo no chão. Dou mais passos, ouço novamente esse som, mas continuo caminhando. Mais uma vez após mais alguns passos, ouço.
Chega um momento que não sinto mais que haja tanto peso sobre meus pés, que antes sentia. Olho pra mim e vejo um vazio, enorme, com isso, ao olhar pra trás vejo pedaços meus abandonados no trajeto que passei.

Vejo que fui me perdendo ao não prestar atenção em mim, pedaços de minha alma foram abandonados.

Agora faz sentido, já que alegria quase não sinto mais como antes, já que acreditar no que é bom não é mais a mesma coisa, já que o brilho diminuiu. Mas o coração continua batendo, bem forte umas horas, acho que quer compensar aquelas partes que perdi, trabalhando mais.

Será que volto para pegar o que perdi? Ou devo criar novas esperanças, novas alegrias, novos motivos para viver, novos motivos para continuar? Acho que voltar tudo que já percorri pode me atrasar em minha jornada, e se perdi foi porque não sofreram mudanças que acompanhassem as mudanças que a vida me colocou, não cabendo mais, ficando soltas, não conseguindo mais preencher a magnitude de tudo que ocorria.

É, devo criar algo novo, que me inspire, que não doa ao respirar. Que me incentive a viver, e a continuar vivendo.

Ainda quando o vento sopra, é possível ouvir o seu som ao passar por mim, ao passar pelo buraco onde eu ocupava, esse vento machuca ainda, me sinto incompleta, e , se esbarrar em algo e não puder com sua força e cair? Permaneço em falta comigo mesma por faltar partes de minha alma, mas devo me restaurar. Como viver se parte de mim que me ajuda a continuar esta ausente? É, chegou a hora, de se reinventar, costurar, expandir. Hora de deixar a força das batidas de meu coração ocuparem as partes em falta, permitir que a luz que há dentro dele preencha o vazio que eu mesma criei, mas que eu mesma posso desfazer.

Sei que ainda terei trabalho pra me reinventar, me recolorir, repintar,recriar, mas eu ainda existo, ainda respiro, ainda vivo, ainda valho a pena.